Como ajudar meus filhos a lidar com o medo?

Hoje vamos conversar sobre uma emoção muito comum na vida das crianças: o medo.

O medo é uma emoção primária, inata (ou seja, você já nasce com a capacidade de experiencia-la) e adaptativa. Está ligada à vida instintiva e à sobrevivência das espécies. Pensa comigo: o que aconteceria se, ao andar em um penhasco, a gente não tivesse medo de cair? Imagine se ao ver um leão, tudo o que sentíssemos fosse vontade de fazer um carinho! Então, na medida certa, o medo tem a função de nos proteger de diversos riscos e ameaças à sobrevivência – e é normal que esteja presente em todas as fases da vida.

As crianças, como ainda não possuem autorregulação emocional completa – e ainda não tem um grande repertório emocional e ferramentas para lidar com os sentimentos mais desafiadores – acabam experienciando o medo de forma mais intensa.Esse medo, na maioria dos casos, é normal e esperado – e deve passar com o tempo.

Os medos mais comuns das crianças, do zero aos 7 anos, são:

- Até 1 ano: Pessoas estranhas, movimentos bruscos, ficar longe dos pais.

- 2 anos: Barulhos fortes – como trovões, carros barulhentos, chuvas fortes. É nessa fase onde geralmente começa o medo de criaturas imaginárias.

- 3 e 4 anos: Junto com a fase mágica do mundo de faz de contas, podem começar a aparecer medo de monstros, pessoas fantasiadas, escuro e medo de ficar sozinho.

- 5 anos: Conforme a criança cresce, os medos vão ficando mais concretos. Nessa fase, pode aparecer o medo de ladrão, de cachorro, medo de se machucar e de morrer.

- 6 e 7 anos: Os medos mais comuns são de criaturas fantasiosas, como monstros e fantasmas. Também pode aparecer o medo intenso de que algo de ruim aconteça com os pais.

Para ajudar os pequenos a lidar com o medo, o primeiro passo é também o mais importante: acolher o medo da criança. Nunca zombe ou faça pouco caso do medo que seu filho está sentindo. O medo pode parecer bobo ou infundado aos olhos dos outros, mas a criança está vivenciando seu temor de forma muito real!

Não utilize frases como “que bobagem”, “pare com isso”, “ter medo é coisa de bebê”, “você já é grande para sentir isso”. “medo é coisa de menina”. Quando os cuidadores repreendem o sentimento, a criança lida com duas questões: o medo em si, e a vergonha por estar sentindo algo que não deveria.

É importante os pais deixarem claro que estão do lado dos filhos, e que irão ajuda-lo a lidar com o medo. Esse espaço de acolhimento e segurança é muito importante para a criança, pois só se sentindo acolhida é que ela vai sentir segurança para tratar um assunto tão delicado e difícil.

Importante saber que em alguns casos, os medos podem persistir a ponto de causar intenso sofrimento emocional e influenciar na vida cotidiana da criança. Também podem aparecer medos específicos e mais difíceis de serem superados – que podem vir de situações traumáticas (como presenciar um assalto, por exemplo). Em casos como esses,que o medo está atrapalhando a realização de atividades cotidianas, e se o apoio e acolhimento dos pais não forem suficientes para aliviar o medo, a ajuda de um psicólogo é indicada.

 

COMO AJUDAR MEU FILHO A LIDAR COM O MEDO

- Crie um ambiente de confiança e acolhimento.

- Leve a sério o que seu filho diz, e não reprima a expressão do medo – dizendo que o medo é uma bobagem.

- Ajude seu filho, com amor e paciência a discernir o que pode ser fantasia e realidade em relação ao medo.

- Divida com ele medos que você também tinha quando era pequeno, e medos que você ainda sente. Ele precisa compreender que sentir medo é normal.

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