Faz mal elogiar?

Você sabia que dependendo de como elogiamos nossos filhos nós influenciamos a motivação interna deles? Até pouco tempo atrás eu me considerava uma elogiadora fervorosa: todo acerto dos meus filhos era motivo de festa. Em partes porque eu estava realmente feliz pela conquista deles, mesmo que fosse uma simples garatuja. E em partes porque acreditava que meu incentivo festivo fosse uma forma de estimular a autoestima das minhas crianças. Só que lendo o livro “Disciplina Positiva” da doutora em educação Jane Nelsen eu aprendi que a crença de que os elogios ajudam a desenvolver a autoestima é um mito. E ela diz mais: ninguém pode dar ou conceder autoestima a ninguém. Ela é desenvolvida de dentro pra fora, através de uma confiança em si mesmo que é aprendida com o tempo, por meio de desafios, desapontamentos e oportunidades de aprender com seus próprios erros. A autoestima tem pouco ou nada a ver com os elogios que damos aos nossos filhos. Diante desta informação eu comecei a me perguntar para o que então os elogios servem e se existe uma forma entre aspas “correta” de se fazê-los.

No livro “Pais à maneira Dinamarquesa” as autoras Jessica Alexander e Iben Sandahl escrevem que o elogio, se usado da forma correta, pode gerar motivação e resiliência. Ou seja, dependendo de como elogiarmos nossos filhos estaremos influenciando a motivação interna deles. Neste sentido, o dr. e autor Carlos González descreve 3 tipos de elogios em seu livro “crescer juntos”. O primeiro elogio que ele categoriza é o elogio à pessoa. Exemplos para este elogio frases como “você sabe desenhar tão bem” ou então “você é mesmo muito inteligente.”. Aqui estamos elogiando a criança por fazer algo muito bem ou por ser boa em alguma coisa.

O segundo elogio é o elogio ao resultado. Exemplos de elogios ao resultado seriam “que desenho lindo que você fez” ou “tirou 10 em matemática, parabéns”. O foco está no resultado bom que a criança alcançou.

Estes dois tipos de elogios são parecidos no sentido de que eles dependem de algo bom acontecer para que sejam feitos. Se numa próxima ocasião a criança não conseguir desenhar tão bem ou tirar nota 10 ela não receberá mais o mesmo elogio e isto se torna um fator desmotivador para a criança. Precisa haver uma outra forma de elogiar nossos filhos a fim de podermos estimular a motivação interna deles.

Felizmente o dr. González apresenta um terceiro e último tipo de elogio: o elogio ao processo. Inclusive a dr. Jane Nelsen, a quem me referi antes, chama esse último elogio de “encorajamento”. Este tipo de elogio é o elogio que estimula a motivação interna de nossos filhos. Um exemplo seria “Dá pra se notar que você se aplicou muito para pintar este desenho “, ou então “Essa nota 10 é reflexo do seu esforço.” Este tipo de elogio é considerado motivador porque independentemente do resultado ser bom o não a criança recebe o reconhecimento pelo seu esforço e dedicação.





Com este tipo de elogio ou encorajamento estaremos motivando nossos filhos a se aplicarem e a se empenharem em tudo que fizerem ENQUANTO o fazem, ou seja, no processo. Se fosse para nossos filhos estudarem pelo mero resultado de conseguir uma boa nota eles poderiam, por exemplo, simplesmente memorizar o conteúdo ou levarem uma cola escondida para a prova. Porém, se eles crescerem motivados pelo processo eles saberão que o que mais importa é realmente compreender e assimilar o conteúdo. Uma boa nota será consequência.

Eu tenho certeza de que não faltam oportunidades para você elogiar seus filhos. Da próxima vez, tente focar no esforço do seu filho e elogiá-lo neste sentido. Assim estará ajudando-o a fortalecer sua motivação interna e estimulando sua resiliência e inteligência emocional.


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